Prazer a você interessado em conhecer um pouco mais sobre a vida de um estudante em intercambio! Caso esteja interessado apenas no objetivo do blog, recomendo ir para o próximo post, pois esse possuirá um foco pessoal, contando minha trajetória até chegar no Duplo Diploma na França e explicitando diversas de minhas características pessoais. Comecemos do inicio.
Nasci no Rio de Janeiro, em Laranjeiras e moro na Barra da Tijuca desde que me conheço por gente. Quando menor, estudei no Colégio Santo Agostinho, na mesma região em que morava, desde sempre me mostrei bom para a área de exatas e ruim em português e literatura, de forma que esse blog sirva para melhorar esses pontos fracos. Diferente da maioria das pessoas boas em exatas, eu gostava muito das aulas de humanas, em especial de geografia politica e historia. Felizmente, como era apaixonado por robótica e adorava ver os videos de combate de robôs desde pequeno, a minha escolha de curso não foi muito difícil.
Tendo um objetivo claro mesmo antes do fim da época do colégio, comecei a procurar as melhores faculdades no setor de mecatrônica. Como eu ainda era muito imaturo, não via a possibilidade de estudar em locais muito longe das minhas famílias, seja por parte da minha mãe, seja pela do meu pai. Com isso passei meu segundo e terceiro ano focado no estudo para a UFRJ, UFU e PUC-Rio, ou seja, foquei nas provas do ENEM e nas especificas da PUC-Rio.
Apos o fim do terceiro ano, tendo passado para as 3 faculdades que eu desejava, já havia cortado completamente a opção de ir para a UFU, pois minha família era fortemente contra eu ir morar apenas com a minha avo, por medo de eu não receber a melhor educação possível. Com isso faltava apenas escolher entre a melhor particular e a melhor publica do Rio. O que mais pesou nessa escolha para mim foi o fato de eu entrar na turma especial da PUC-Rio e a opinião de pessoas próximas de mim de cada faculdade. Olhando para trás atualmente, posso dizer que não me arrependo nem um pouco dessa escolha, muito pelo contrario, vendo a evolução dos meus amigos na UFRJ e aqueles da PUC, vejo que a minha faculdade fornece muito mais apoio que a publica.
Uma vez dentro da PUC passei meus dois primeiros períodos muito preocupado com notas, até eu perceber, no inicio do terceiro período, que dentro de uma faculdade, a nota é uma das coisas que menos importa. A partir do momento em que consegui perceber isso, comecei a procurar diversas atividades externas às aulas padrões da faculdade. Comecei fazendo o processo seletivo da RioBotz, a equipe de robótica mais famosa do Brasil, entrando para a área de autônomos.
Alem disso, consegui uma bolsa de estudos para fazer um MBA-Jr no IEG e fui chamado para dois projetos da área eletrônica, um relacionado com desenvolvimento de jogo de tabuleiro e outro de uma mesa autônoma. Antes de vir para a França ainda virei coordenador do setor autônomo da equipe de robótica durante 8 meses e do setor de comunicação e gestão durante 5 meses.
Agora que vocês conhecem meu desenvolvimento profissional, passemos um pouco para o lado pessoal. Acho importante tocar nesse assunto pois a experiencia de vocês no intercambio depende muito da pessoa que você é, assim, se você for uma pessoa extremamente diferente, pode ser que as experiencias que eu tive sejam completamente diferentes das que você terá.
Acaba sendo um pouco difícil me encaixar em um esteriótipo para que você possa saber se possui alguma identificação ou não, pois eu sou uma pessoa um tanto quanto bizarra em gostos. Gosto de vídeo games, animes, mangas e séries, poderia dizer que sou nerd, porém não sou aqueles fanáticos que só sabem falar disso e passo longe do esteriótipo, já que sou uma pessoa que gosta bastante de festa e gosta dos mais diferentes esportes, incluindo academia, calistenia, yoga, vôlei e futebol.
Nunca fui uma pessoa muito interessada em viagens ou em conhecer outras culturas, o que mudou completamente com a minha vinda para a Europa. Sempre preferi eventos mais exclusivos entre amigos e colegas e nunca gostei tanto da ideia de ir para boates, porém, a partir do momento em que estou nelas posso dizer que acabo aproveitando bem. Meus passatempos favoritos na França são exercícios físicos, vídeo games e séries e, quando estava no Brasil, amava passar meu tempo na praia, especialmente jogando vôlei e altinha. Gosto muito de assistir futebol e futebol americano, porém não sou nem um pouco fanático, de forma que não perco meu sono quando meu time ganha ou perde.
No geral sou uma pessoa extrovertida, que gosta de estar em contato com outras pessoas quase o tempo inteiro, pois odeio estar sozinho. Aqui na França essa situação mudou um pouco, já que a solidão é muito maior do que no Brasil, com isso aprendemos a viver sozinhos e a passar tempo com si proprio. Gosto muito mais de trabalhar com fatos do que com sentimentos profundos, sendo muito organizado com as minhas tarefas e atento aos mais diferentes detalhes.
Costumo ser muito politico, mas não politizado, pessoalmente odeio conversar sobre politica e não gosto dessa mania que a maioria tem de denominar as pessoas apenas de esquerda e direita. Gosto muito de tomar a liderança nas atividades e até mesmo nos grupos de amigos, sempre tentando ser amigo de todo mundo, conhecendo ou não as pessoas. Aqui na frança aprendi a trabalhar em posições de subordinação com lideres bons e ruins e desenvolvi diversas habilidades em relações intrapessoais e de autoconhecimento.
Sempre fui uma pessoa que não liga muito para a imagem externa das coisas, assim acabo valorizando mais o conforto e a praticidade ao design ou nome, por vezes isso gera um certo preconceito por parte das pessoas ao verem as roupas e acessórios que uso. Gosto muito de coisas funcionais e me sinto desconfortável em conviver com um grupo que foca nas coisas fúteis.
Antes de sair do meu país nunca tinha morado sozinho, cozinhado, lavado a casa ou as roupas, gerando diversas dificuldades do ponto de vista organizacional quando eu cheguei aqui. Meu francês na chegada era de nível A2 para B1 e o inglês era de C1 para C2, permitindo uma comunicação razoável desde o começo.
Acredito que posso dizer que, quer você tenha se reconhecido ou não nas coisas que eu falei, a vinda aqui para a França é uma passagem apenas de ida, pois a pessoa que estará na volta para o Brasil sera alguém totalmente diferente daquela que foi. Você baterá de frente com seus pontos mais fracos, descobrirá problemas que antes não estavam latentes, vai aprender a odiar e a amar novas pessoas, as vezes passando pelas duas fases com uma unica pessoa. Desenvolverá diversas novas capacidades e perderá algumas outras que não eram tao uteis. Esteja preparado para uma das fases mais complicadas da sua vida até o momento, intercambio é difícil, porém, não chega aos pés da dificuldade que o duplo diploma representa.