Cruzando o Atlântico

Turbilhão de emoções

Depois de conseguir terminar todos os processos infinitos de burocracia relacionados à minha vinda na França, finalmente tive tempo para me preparar psicologicamente para a vinda. Preparei despedidas com os mais diferentes tipos de grupos, desde aqueles amigos de infância até os mais novos relacionados com os projetos que eu participava e fiquei durante uma semana aproveitando as pessoas que eu não veria pelos próximos dois anos.

Se despedir de uma vida de mais de 18 anos e se preparar para uma nova, na qual você não sabe o que esperar, é um processo extremamente estranho, para não dizer engraçado. Emoções que nunca surgiram antes, começam a aflorar e você simplesmente não sabe o que fazer com isso e as vezes nem ao menos explicar. Emoções que fazem você ignorar rancor ou vergonha referentes à diversas pessoas e que fazem você querer elas de volta na sua vida. Outras que fazem você se reaproximar de seus pais e de tentar manter o contato com o maior número de pessoas importantes na sua vida, mesmo que as vezes, essas outras pessoas não percebam isso.

Esse processo de emoções é diferente para cada pessoa, porém o importante é tentar entender o que as suas emoções estão dizendo e não tentar suprimi-las. No meu caso, eu passei um bom tempo antes de vir tentando esconder e ignorar elas, e apenas comecei a trabalhar com elas depois de receber ajuda de um amigo de trabalho bem mais velho que eu, que me orientou pelo caminho certo. Obrigado Lohan.

Chegada na Europa

“Parisiense é tudo mal-educado”

“Frances fede”

“Culinária Francesa é magnifica”

Todas essas frases eu escutei até não aguentar mais antes de minha chegada. Minha recomendação é não chegar aqui com nenhum desses preconceitos e estar com a mente aberta para novas culturas, esse mindset te permite ganhar uma gama de experiências muito maior.  

Minha chegada foi em Paris, no Charles de Gaulle e tinha como objetivo chegar até a estação de trem de Bercy, na qual eu pegaria meu trem para Vichy, minha primeira parada nessa experiência de dois anos. Como nunca tinha viajado sozinho antes, devo admitir que estava um pouco perdido. Mesmo me preparando e anotando o passo a passo do que deveria fazer desde que descesse do avião, se encontrar acabou sendo mais difícil do que achava e acabei pedindo indicações para diversas pessoas ao longo do caminho. Incrivelmente, todos foram extremamente simpáticos.

Ao chegar na linha de metro, recebi ajuda de um senhor que me ajudou a carregar as malas pelas escadas, já que o suporte do subterrâneo de paris para pessoas com malas é péssimo (e pior ainda para deficientes!). Depois ainda recebi ajuda de uma senhora para comprar minha passagem, me explicando as diferenças de preço e onde embarcar. Essa experiência mudou momentaneamente minha visão sobre Parisienses e o fato deles serem, de acordo com o preconceito, mal-educados. Infelizmente, em minhas futuras idas para a cidade percebi que tive a sorte de estar em um domingo, dia que a cidade não é movimentada. Chegue em Paris em um dia de semana e você se encontrará em um cenário totalmente diferente, com muita correria e cada um por si.

O resto da viagem até Vichy foi extremamente tranquilo, sala de espera da estação de trem extremamente confortável, tomadas para celular e até mesmo Wi-Fi público, algo que, para nós brasileiros que nunca viajamos para fora, existiria apenas em uma Utopia. Como dentro do trem eu acabei conseguindo ir de primeira classe (é praticamente o mesmo preço), fiquei extremamente impressionado com o luxo e conforto que tinha. Achava que o que eu estava vivendo ali era coisa de filme, nunca tinha encontrado nada parecido no Brasil. De mais, ao chegar em Vichy fui recebido na estação pela pessoa que ia me acolher em minhas duas semanas e de lá saímos para conhecer a cidade.

Publicado por Leonardo Guimarães

Prazer a todos. Me chamo Leonardo Chaves e estou criando esse blog com o objetivo de transmitir as experiencias e as informaçoes mais importantes sobre uma vida em intercambio. Fiz um Duplo Diploma na école centrale lille entre 2018 e 2020.

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