Logo ao fim do S5, primeiro período da Centrale, temos o início do mês de estágio. Para a maioria dos franceses, esse mês se da em alguma empresa que conseguiram graças à network já estabelecido aqui na França. Para os internacionais, com exceção de alguns mais sortudos que conseguiram estágios em empresas grandes, a maioria acaba ficando em laboratório ou em algo que envolva apenas trabalho braçal.
Minha experiencia se passou em um laboratório de controle de um sistema autônomo de trens em miniatura, no qual tínhamos uma miniatura de uma linha ferroviária simples e um trem 100% autônomo com a eletrônica já pronta. Quando cheguei no local de estagio, passei o primeiro dia inteiro conhecendo como funcionava as coisas e lendo o livro das regras de trânsito de trens. Neste dia eu cheguei a conhecer o responsável pela eletrônica do local e também o professor responsável pelo projeto.
No dia seguinte eu recebi o objetivo de entender a fundo a programação do trem e de tentar otimizar, deixando ela mais clara para pessoas externas, assim, passei meu primeiro dia inteiro trabalhando em torno da mesma, tentando entender coisas que nunca tinha visto antes na vida. Ao final do dia, já tinha compreendido metade dos programas e feito alguns comentários separados para levar ao professor.
Durante meu terceiro dia de trabalho eu conheci o responsável da programação, tendo sido o primeiro dia que ele foi ao laboratório na semana. Assim que ele chegou ao local e viu que eu estava olhando o programa, ele já me questionou do que se tratava aquilo. Ele nem sabia que eu estava estagiando lá desde o início da semana. Após eu explicar para ele o que aconteceu, ele mandou eu não modificar nada, saiu da sala e não voltou mais até o almoço.
Quando voltei da minha hora de almoço eu fui chamado para conversar com o diretor de programação para definir novos objetivos para mim, já que ele não queria que eu mexesse em nada no programa. Sai dessa reunião com uma lista de 8 tópicos para estudar. Apenas estudar. Para depois, se eu acabasse a tempo do fim do estágio, poder mexer no programa. Ao final da segunda semana havia finalizado todos os tópicos que ele passou e estava pronto para mexer no programa, porém, como precisava da aprovação dele para começar a mexer, acabei tendo que esperar ele aparecer no laboratório para poder lhe mostrar minha evolução.
Na terça feira da terceira semana eu encontrei com ele e avisei que já havia acabado, e perguntei se poderia ir para os códigos agora. Depois de uma serie de perguntas para ver se eu havia entendido bem o conteúdo que ele pediu, ele me passou mais 5 tópicos, que, em minha opinião, não eram nem um pouco necessários para avançar no programa. Frustrado, voltei para casa cedo naquele dia e mostrei esses tópicos para um amigo meu com técnico em computação, para saber o quão valido era aquela cobrança. Infelizmente, a resposta que eu recebi era de que nem fazia sentido ele me cobrar aquilo, já que não usava no tipo de programa que eu iria trabalhar.
Como faltava apenas mais uma semana e meia para acabar o estágio, eu desanimei completamente, vendo que não conseguiria trabalhar e passaria mais tempo apenas estudando por mim mesmo. Passei o resto do tempo chegando mais tarde e saindo mais cedo do laboratório, já que não havia controle de horário e passava o tempo que estava lá pretendendo que estava fazendo algo relacionado ao estágio, enquanto que o meu chefe pretendia que me cobrava.
Em resumo, meu estagio pouco me ensinou, tanto em questão de trabalho em equipe, quanto em questão de conhecimento técnico. De início, pensei que poderia ter sido um caso isolado entre os brasileiros, porém, conversando com eles, descobri que a maioria ficou procrastinando e que não recebia tarefas muito interessantes, exceção eram aqueles que realmente trabalharam e aprenderam. Uma observação importante é que isto foi para o estágio obrigatório de um mês, o que não quer dizer que o estagio de 6 meses tenha qualquer semelhança, muito pelo contrário, de acordo com as experiencias dos veteranos o mais longo é uma experiencia enriquecedora e animadora.