Essas são as maiores férias que temos na Europa, com aproximadamente dois meses ininterruptos. Foi um dos momentos que eu considero que me redescobri como pessoa. Nessas férias eu me preparei para passar todo o meu tempo viajando, primeiro comecei passando 15 dias com meus pais, visitando Nápoles, Capri e algumas cidades da Suíça. Em seguida, encontrei com meu amigo na Croácia e fomos descendo até a Grécia, passando por Bósnia, Montenegro e Albânia. Ao fim da viagem, voltei para descansar uns 3 dias em Lille para depois visitar a Bélgica e a Holanda.
Foi graças a essa viagem que eu comecei a ter diversos pensamentos sobre a minha vida e sobre o que eu estava fazendo. Para facilitar a compreensão de cada coisa irei escrever em ordem cronológica dos acontecimentos, começando desde a saída de Lille, até a volta definitiva.
Com o fim do período letivo, tivemos um final de semana para organizar as coisas referentes as mudanças de apartamento. Eu havia saído de um apartamento individual para um duplo no mesmo andar. Após isso me despedi dos meus amigos mais próximos e segui em viagem para a Itália, para encontrar meus pais 6 meses depois da viagem que eu tinha feito com eles no ano novo. Diferente da última vez, a minha mentalidade para o tempo com eles estava muito mais preparada para a forma de viagem, na qual eu teria que acompanhar o ritmo de viagem deles e aceitar as coisas que eles queriam fazer. Acredito que graças a isso, consegui aproveitar muito mais a viagem dessa vez do que na última vez.
Viajamos para Nápoles, Pompeia, Capri, Zurique, Berna, Lucerna e Genebra. Como eu prefiro cidades mais históricas e com uma carga emocional maior eu acabei preferindo Nápoles e Pompeia. Ainda assim, Capri é uma ilha maravilhosa, porém cara. A melhor forma de se aproveitar a ilha é através de passeios de barco, descendo em pontos específicos para aproveitar o oceano. Por fim, na Suíça, as cidades são mais conhecidas pela sua beleza e pelo famoso fondue da região, logo não recomendo para pessoas que sejam apaixonadas por grandes histórias ou monumentos famosos. Mesmo assim, aproveitei muito as cidades suíças, procurando ver por todos os ângulos as experiencias que eu estava tendo.
O início de nossa viagem foi em Nápoles, uma cidade com um trânsito completamente desorganizado e motoqueiros aparecendo dos lugares mais inesperados. Ela assusta aqueles que não estão acostumados com lugares razoavelmente caóticos, porém, para alguém que dirigia diariamente no Rio de Janeiro, ela não está tão distante. Ignorando esse fato, podemos dizer que a cidade tem sua beleza. Ela possui diversos lugares interessantes do ponto de vista histórico e arquitetônico, além de um subterrâneo que me deixou maravilhado.
Saindo de Nápoles decidimos ir para Pompeia, passar um dia inteiro lá, conhecendo cada um dos cantos. Durante o tempo em que estive lá, segui sozinho a maior parte do tempo, pois me interessava pela história de cada lugar enquanto meus pais viam somente a arquitetura e as ruinas. Chegamos lá umas 9 da manhã e saímos apenas quando a cidade histórica fechava. Diria que foi um dos lugares históricos mais interessantes que já passei.
Depois de um dia inteiro em Pompeia decidimos, no dia seguinte, passar pelo monte Vesúvio e fazer a caminhada mais longa para chegar até o topo. É um caminho razoavelmente tranquilo para se fazer, recomendo apenas levar uma água, especialmente se estiver no verão. Como o vulcão está inativo tudo o que vocês verão lá em cima é uma grande cratera e uma vista maravilhosa de todo o resto da região. Além disso, para aqueles que conhecem a história de Pompeia, dá para ter uma boa noção do desastre que devastou a região e deixou Pompeia abaixo de lava.
Após esses dois dias bem cansativos andando abaixo de um sol de quase 40 graus fomos para Capri descansar. Ficamos hospedados em Ana Capri, o outro lado da ilha e fomos para Capri nos dois dias usando transporte público. Como é uma ilha extremamente pequena os carros são adaptados para andar nela, logo alugar um carro na região não é o ideal, as ruas são estreitas, cheias de curvas, subidas e descidas, o ideal é usar o transporte publico ou andar de taxi.
Durante o tempo na ilha fizemos um passeio de barco com duração de um dia inteiro e ficamos na praia inicial, que não é particularmente boa, porém é viável de se banhar. O passeio de barco possui um guia especializado para explicar tudo sobre a ilha, ele faz o passeio em torno dela e para em alguns locais específicos para podermos nos banhar. É um pouco caro o passeio, porém não tem muito mais o que fazer nela, já que a mesma quase não possui praia boas.
Com o fim da estadia em Capri, pegamos um avião para a Suíça, começando em Genebra e seguindo até Zurique. Com exceção de Zurique, todas as outras cidades que passamos no caminho eram apenas bonitas, num estilo mais antigo, com casas e ruas mais estreitas. Genebra também destoa um pouco das outras, possuindo um passeio no lago que leva diretamente até a montanha mais famosa da região, que mesmo no verão fica com temperaturas negativas em seu topo. Um outro ponto importante para se tocar é o museu olímpico de Lausanne, que nos mostra a história por trás desse grande evento e, acima de tudo a história de diversas pessoas que participaram dele.
À parte do museu olímpico, acredito que Zurique foi a única cidade da suíça que tenha realmente me agregado alguma coisa. Nela visitei a ONU e o museu da Fifa, dois lugares que definitivamente recomendaria para qualquer um ir, na ONU eles nos mostram um pouco como funciona as enormes reuniões que eles possuem diariamente e um pouco do volume de trabalho que eles tem. Enquanto isso, o museu da Fifa mostra diversas coisas referentes a história do futebol masculino e feminino, ao mesmo tempo em que nos apresenta algumas histórias tocantes relacionadas com as pessoas no futebol, praticamente uma versão futebolística do museu das olimpíadas.
O ultimo ponto alto da viagem com meus pais foi a visita ao CERN, próximo de Genebra e que possui um museu interativo extremamente interessante e diversas explicações técnicas do que eles fazem. Após toda essa experiencia peguei um ônibus na estação de Zurique para ir para Zagreb, na Croácia. O sentimento, antes mesmo de me despedir deles era um misto de saudade com uma vontade de curtir a viagem em lugares com festas e praias entre amigos. Atualmente, se eu pudesse, eu teria passado mais tempo com eles e tentado aproveitar mais, porém minha mentalidade ainda não estava tão amadurecida ao ponto de poder ter esse pensamento na época.
Chegando na Croácia encontrei com meu amigo para começarmos nossa viagem de um mês juntos. Zagreb possuía alguns prédios bonitos porem nada a mais de interessante, assim dormimos um dia lá e seguimos diretamente para Hvar, uma das ilhas mais espetaculares que já passei. Ela possui diversas praias maravilhosas, uma vida noturna sensacional, tanto para aqueles com dinheiro e para aqueles sem. Além disso ainda existem diversas ilhas próximas na região, permitindo visitar elas por baixo custo através de barcos que servem como taxi ou de um barco que você alugue.

Depois de Hvar chegamos em Split, vimos algumas coisas relacionadas a parte histórica da cidade e uma das praias, infelizmente não tivemos tempo nem energia para aproveitar a famosa vida noturna da região pois estávamos doentes na época. Ainda na Croácia fomos para Dubrovink, uma cidade que deixa maravilhado qualquer fã de Game of Thrones. A história da cidade é interessante e fica ainda melhor quando a tour envolve histórias das filmagens da série junto. A noite na cidade é um pouco cara, porém dizem ser extremamente boa, valendo a pena ir. O maior problema é a localização da maioria dos hostels, que ficam no alto da cidade, bem longe da área de festas e de turismo, gerando uma boa subida na volta da festa. Infelizmente como ainda estava um pouco doente, acabei ficando de fora das festas nessa cidade.
Depois da Croácia fomos para a Bósnia-Herzegovina, indo em Sarajevo e Mostar. Particularmente Mostar não tem muita coisa para fazer, sendo uma cidade bonita e barata, porém não precisa de mais de um dia para ver tudo. Sarajevo por sua vez é uma cidade extremamente histórica e que requer cerca de dois dias para poder ver tudo. Um local extremamente interessante é a região das olimpíadas de inverno que aconteceram na região, como as estruturas foram abandonadas podemos ver um cenário semelhante ao dos filmes pós apocalípticos, guardada as devidas proporções. Uma walking tour em Sarajevo é extremamente recomendado tendo em vista o peso histórico da região, nela você descobre diversas coisas sobre a cidade, principalmente com relação à guerra da Iugoslávia, conseguindo até a ver diversas paredes com buracos de bala.

Descendo ainda mais na Europa fomos para Montenegro, em Kotor e Budva, ambas cidades com estilo medieval e fazendo fronteira com o Mar Adriático. No geral nessa cidade aproveitamos para curtir a praia e conhecer um pouco da rasa história que ela possui. Em Budva existe um antigo castelo que podemos subir e ter a visão da cidade inteira, a subida é demorada e cansativa, mas vale a pena pela vista.
Próxima parada de nossa viagem foi na Albânia, passando por Tirana, capital do pais, e por Saranda. Para aqueles que não sabem, Albânia saiu de uma ditadura comunista a pouco tempo, de modo que, a 30 anos atrás o povo comum conhecia apenas aquilo que era produzido internamente pelo país, ou seja, eles não conheciam nem o que seria uma banana e muito menos uma Coca-Cola. O meu objetivo de ir para esse país era exatamente para poder ver um mundo completamente diferente daquilo que eu estava acostumado, muito menos integrado com o resto do planeta.
Não recomendo esse país para aqueles que querem algo luxuoso ou que tem problemas com transporte deficitário. Chegamos a pegar duas vans sem ar condicionado e um ônibus totalmente destruído. Porém, para aqueles que forem de carro ou mochileiros que não liguem para tal coisa é uma experiencia imperdível e que me gerou uma evolução gigantesca como pessoa.

Aqueles que querem uma viagem mais tranquila, mas com menos peso histórico vale a pena ir apenas para Saranda e Ksamil, uma cidade ao lado da outra, tendo transporte publico entre as duas. São ambas cidades de praia e com uma ótima estrutura de hotel e restaurantes, porém você perde um pouco da essência da Albânia, pois é uma cidade feita para turismo, logo foi muito desenvolvida para ser diferente do resto do país. Enquanto isso, caso o interesse maior seja voltado para a história e cultura local, o ideal é passar uns dois dias em Tirana, caminhando pelas ruas da cidade, fazendo walking tours e pegando um tempo para conhecer a população local.
Depois dessa visita espetacular pela Albânia descemos ainda mais em direção a Atenas, uma das cidades com mais história antiga do mundo, perdendo, talvez, apenas para Roma. A visita na cidade é espetacular, porem seria ainda melhor se não estivesse cerca de 40 graus durante a maior parte do dia. Aqueles que são estudantes na Europa possuem entrada gratuita em quase todos os museus e monumentos da região. Minha recomendação, como alguém que ama história antiga, é de ver todos os monumentos da região e fazer no mínimo uma walking tour referente a história da região.

Depois de Atenas fomos para as ilhas grega, sobre as quais não me estenderei muito pois é simples de resumir em praias e festas, elas mal possuem histórias e turismo cultural. Fomos para 4 ilhas no total, em Mykonos, curtimos as duas praias mais famosas durante o dia e as festas durante a noite. Paros, por sua vez, tem um foco muito maior em praias, com pouquíssimas festas. Já a terceira ilha, Ios, é com um foco 100% em festas, começando as 5 da tarde e acabando apenas as 6 da manhã, possuindo um bizarro intervalo no meio, que permite que as pessoas saiam da festa na praia para festas em clubes. A ultima ilha que fomos foi Santorini, na qual alugamos um quadriciclo e visitamos as mais diversas praias que existem na região, elas não são as melhores para se banhar, porem são extremamente bonitas e diferentes.

Com o fim da viagem voltei para Lille para descansar por alguns dias e me preparar para receber os calouros antes de ir para Bélgica e Amsterdã. Como uma das intercambistas chegaria mais cedo e não tinha lugar para ficar ela acabou acompanhando a mim e meu coloc na viagem. Na Bélgica passamos por Gent, Brugges e Bruxelas, as duas primeiras cidades muito lindas porem sem grandes coisas para fazer, apenas passear, apreciar a vista e comer a famosa batata frita belga. Enquanto isso Bruxelas é uma cidade com uma quantidade mais variada de coisas a se fazer, porém ainda assim não precisa de mais do que um dia inteiro para ver. A noite da cidade é um pouco mais interessante, com bares e boates espalhados pelo centro da cidade.
Seguindo para Amsterdã, passamos dois dias no local, com um objetivo de passar um dia relaxando no parque e o outro de conhecer os pontos mais famosos da cidade, como a Red. District, o museu da Heineken e o do Van Gogh. Ao fim da viagem voltamos para Lille para começar a receber os calouros que chegariam dentro dos próximos 5 dias.