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Um pouco de background

Intercambio é o famoso deus me livre mas quem me dera.

— Inter cambistas da Centrale Lille

Tudo teve seu início com a decisão, incentivado por amigos e namorada, de concorrer ao processo de Duplo Diploma na França. Era o meio do período letivo de minha faculdade, a PUC-Rio, quando minha namorada chegou a mim com a ideia de querer concorrer a esse processo e plantou a semente na minha cabeça de também faze-lo. De início era mais um tiro no escuro, não tinha muita motivação para ir para um país da Europa e muito menos para um país do qual não sabia nada da cultura ou da língua, porém com a aprovação no processo, a mudança de diversas coisas na minha vida no Brasil e, principalmente, a aprovação no sistemas de bolsa da Brafitec, eu acabei decidindo dar uma chance para essa nova experiência, que ia me mudar de uma forma inimaginável.  

Antes de vir para a França eu participava de uma equipe de robótica dentro de minha faculdade chamada RioBotz, conhecida mundialmente dentro do setor de robôs de combates. Nela eu era coordenador de três setores diferentes, robôs autônomos, comunicação e gestão. Além disso eu tinha participado de alguns projetos paralelos voltados para a automatização de processos, como uma mesa que se auto corrige para não deixar nada cair dela e na automatização de parte de um jogo de tabuleiro.  Por fim, tinha feito meu MBA-JR, um curso para jovens graduandos que apresenta o básico das áreas de negócios e administração de empresas e que me animou imensamente para trabalhar com áreas como logística e recursos humanos.

Todos os textos daqui em diante são relacionados com as minhas experiências dentro do meu período de intercâmbio, que acabaram por me transformar na pessoa que eu sou atualmente e que estão me deixando mais perto de ser o profissional que eu desejo ser. Esse projeto é o meu “défi personnel”, algo que explicarei ao longo dos textos a seguir, cujo o objetivo é conseguir aumentar minhas habilidades artísticas, tanto em questão de edição de vídeo, fotografia e produção de texto. 

O primeiro inverno

Esse tópico serve especialmente para aqueles que não estão acostumados com frio e que gostam do ar livre, já que o inverno no Norte da França pode ser exemplificado como um frio desanimador, sem sol, extremamente parecido com um cenário de Silent Hill. Durante esse tempo temos um período com aulas, um com férias, um com provas e finalmente um com estagio, cada um deles com uma experiencia diferente com relação ao clima.

Quando chegamos na França, começamos a fazer diversas atividades, churrascos, futebol, rúgbi, entre outros. Todas eram muito legais e ajudavam a ignorar a dura atividade de ter que ir para a Centrale todos os dias. Infelizmente, à medida que o frio chegava, era ainda mais raro de ver essas atividades acontecendo, diminuindo cada vez mais o animo de todas as pessoas aqui.

O final do ano era acompanhado de um enorme estresse, tendo alguns prazos de entrega de trabalhos, acompanhado com a ainda presente dificuldade de falar uma língua estranha e o início da preocupação com as provas que viriam ano que vem. Junto com todas essas coisas, o dia começou a esfriar demais, chegando perto de 0 graus, com o sol nascendo depois do horário de inicio das aulas e se pondo extremamente próximo do fim. Ou seja, os únicos momentos que víamos o sol era, ou na hora do almoço, ou na volta para a casa, ambos em um frio desagradável. Tudo isso junto gerava um enorme desanimo, que era compensado apenas pela proximidade com as férias e as festas de fim de ano.

Com a chegada das férias de fim de ano, aqueles que deixaram de viajar e ficaram na residência se sentiram completamente para baixo, mal saiam de casa, pouco viam a luz do sol e evitavam o frio ao máximo. Para a maior parte dos outros, esse foi um momento de relaxar, seja com a família, seja com os amigos mais próximos. Mesmo com o frio chegando, o fato de estar viajando e conhecendo lugares e pessoas novas sempre ajuda muito no equilíbrio do mental de qualquer pessoa. Assim foi possível ver uma clara melhora na moral dos internacionais da faculdade, especialmente naqueles que ainda não estavam tão preocupados com as duas semanas de provas que teríamos na volta as aulas.

Com o fim das férias vem um dos piores períodos da faculdade, o momento em que temos que fazer diversos exames e trabalhos em apenas 2 semanas, acompanhado de ainda mais frio e ainda menos tempo de sol. Dessa vez não conseguíamos ver o sol nem mesmo na ida ou volta para a faculdade, apenas tínhamos essa chance no horário de almoço, considerando que não estaria nem chovendo, nem com neblina, algo extremamente incomum em Lille. Essas duas semanas não possuem palavras para descreve-las bem, mas creio que o mais próximo que posso chegar é ao dizer que é o momento de maior desespero e tristeza que se tem em todo o período. A mesma semana, com sol e calor, ou uma semana com frio e falta de sol, contudo, com menos responsabilidades, não seria nem de perto tão desagradável. Se manter estável nessa semana é para poucos e aqueles que conseguem é porque possuíam grupos bons para dar suporte para as quedas.

Por fim, antes de voltarmos a termos um clima mais agradável, passamos ainda pelo período do estágio, no qual temos ainda bastante responsabilidades, porém muito menos pressão sobre elas que antes. Além disso, o fato de fazermos coisas novas o tempo inteiro, das quais não estamos tão acostumados e não são tão monótonas quanto simples aulas, acaba gerando um aumento de moral significativo. Outro ponto crucial no aumento da felicidade de todos é a chegada da neve, já que muitos dos internacionais aqui quase nunca haviam visto ela.                 No geral, o inverno francês é um período extremamente complicado, depressivo e monótono, não existem muitas surpresas, sempre teremos o mesmo tempo feio e frio de sempre, contudo, tendo toda a base de alguém que passou por um inverno e está passando pelo segundo, aqueles que passam por esse problema todo evoluem como pessoa e conseguem desenvolver uma outra forma de pensar, eventualmente tendo até um aumento de produtividade. Se por algum motivo você decidir passar o inverno aqui, tenha em mente uma coisa, se aconchegue de amigos e pessoas que importam e te fornecem apoio, pois Winter is Coming.

Natal sem família

Logo após a última viagem que fiz para o Toussaint, eu decidi por mim mesmo que, se eu não fosse para algum lugar mais bonito que a Escócia eu não viajaria. Meu real motivo de não querer viajar é que eu queria aprender a ficar melhor comigo mesmo, sozinho. Sempre tive dificuldade de permanecer sozinho e durante o intercambio essa dificuldade aumentou. Como acabei não conseguindo ir para os lugares que eu tinha em mente, com as pessoas que eu queria, decidi não gastar dinheiro e ficar na residência sozinho, adiantando estudos e projetos pessoais.

Eu tinha absoluta certeza que seria um enorme desafio para mim, já que eu gosto de sempre estar em companhia de diferentes pessoas e fazendo coisas diferentes, ou seja, ficar quieto em casa, no frio, com pouca companhia, não era algo simples. No início, enquanto os outros brasileiros ainda estavam aqui antes do natal não foi muito complicado, porem à medida que as pessoas viajavam, ficava cada vez mais complicado. Perto do ano novo já não tinha mais que 6 pessoas na residência, o meu companheiro de quarto e três amigas minhas.

Na minha cabeça eu acabaria conseguindo desenvolver bem os projetos que eu tinha em mente, já que não teria a distração da companhia das outras pessoas e muito menos teria ocupações relacionadas com a faculdade. Porém, a partir do primeiro dia que eu estive mais sozinho a minha produtividade foi por agua abaixo, tentei desenvolver um cronograma para fazer todas as coisas que tinha vontade, porem o frio e a solidão acabaram levando a melhor na maior parte do tempo e fizeram com que eu não conseguisse ter vontade de fazer tais coisas, acabava passando a maior parte do tempo vendo series e jogando vídeo game.

As coisas foram melhorar depois de uma semana, quando eu comecei a desenvolver uma rotina, acordando mais cedo, fazendo exercícios físicos e seguindo direto para começar os trabalhos. Ao final das férias eu estava bem mais produtivo do que no início, conseguindo avançar no meu blog, no meu MBA e até mesmo nos projetos da Centrale. Assim, acredito que, apesar de ter passado por alguns momentos bem complicados, consegui desenvolver uma parte de mim que praticamente não existia no Brasil, que é a de ficar sozinho e estar bem com isso.

Toussaint 2.0

Esse segundo Toussaint foi totalmente diferente do primeiro, tanto do ponto de vista das nossas escolhas de conforto quanto tendo em vista o local. Como não tínhamos a renovação do visto encaminhada, não podíamos sair da França para outros lugares da União Europeia, assim decidimos sair da própria UE, indo para o Reino Unido. Como já tínhamos visto Londres, seguimos direto para Manchester e depois subimos para Edimburgo, onde pegamos um carro para visitar toda a região da Escócia.

Sendo sincero, não possuía grandes expectativas para essa viagem, pois fizemos as pressas e com um grupo de pessoas que não haviam conseguido viagem ainda, porém atualmente eu posso dizer que foi a melhor viagem que eu fiz em todo o período, tanto pela companhia, quanto por passar o dia fazendo coisas que eu gostava. Particularmente Manchester não teve nada demais, fizemos o mesmo que fazíamos em todas as viagens pela Europa, visitamos os pontos principais, fizemos walking tour e saímos para bares a noite. Tanto as walking tours quanto os bares possuíam temas voltados para o rock para a felicidade de duas das minhas amigas que estavam lá.  

Saindo de Manchester pegamos um longo ônibus diretamente para Edimburgo onde ficamos hospedados na casa de uma amiga, que nos forneceu, além do alojamento aconchegante, um ótimo tour pela cidade. Gosto de pensar nesse local como uma porta de entrada para a Escócia, pois além de ser a cidade de mais fácil acesso dentro do país, ela ainda é a “preview” da beleza natural que a região inteira possui. Dentro da cidade temos diversos prédios com uma arquitetura maravilhosa, é impossível passar rápido. Vale muito a pena andar lentamente pela região e aproveitar cada canto lindo que a cidade possui. Até o cemitério da cidade é algo que vale a pena ser visto. Dois dias na região são suficientes para conhecer a cidade e frequentar os locais mais famosos turisticamente falando.

Saímos de Edimburgo pegando o carro no aeroporto para poder fazer as roadtrips para as regiões mais conhecidas. No início, dirigir com o volante invertido foi um tanto quanto esquisito, porém as estradas vazias, bem asfaltadas e sinalizadas facilitaram muito o trabalho. No geral com uma hora de estrada eu já estava mais do que acostumado com a direção, cometendo apenas alguns erros bobos como errar o lugar da marcha ou entrar na porta errada. Usamos Burghead como nossa base para conhecer toda a região pois o Airbnb era mais barato. No primeiro dia subimos de Edimburgo para nossa casa passando por Inverness e pelo Lago Ness e nos outros dias saímos antes mesmo do sol nascer para poder conhecer tudo que queríamos antes de acabar a luz, principalmente na viagem para a Ilha de Skye, na qual saímos 4 da manha e voltamos apenas as 22. Para uma viagem nesse estilo é essencial ter duas pessoas dirigindo para poder revezar.

Ao fim da viagem passamos ainda por algumas trilhas no caminho de descida até chegarmos em Glasgow, cidade na qual ficamos um dia antes de voltar para Edimburgo.

Férias de Verão

Essas são as maiores férias que temos na Europa, com aproximadamente dois meses ininterruptos. Foi um dos momentos que eu considero que me redescobri como pessoa. Nessas férias eu me preparei para passar todo o meu tempo viajando, primeiro comecei passando 15 dias com meus pais, visitando Nápoles, Capri e algumas cidades da Suíça.  Em seguida, encontrei com meu amigo na Croácia e fomos descendo até a Grécia, passando por Bósnia, Montenegro e Albânia. Ao fim da viagem, voltei para descansar uns 3 dias em Lille para depois visitar a Bélgica e a Holanda.

                Foi graças a essa viagem que eu comecei a ter diversos pensamentos sobre a minha vida e sobre o que eu estava fazendo. Para facilitar a compreensão de cada coisa irei escrever em ordem cronológica dos acontecimentos, começando desde a saída de Lille, até a volta definitiva.

                Com o fim do período letivo, tivemos um final de semana para organizar as coisas referentes as mudanças de apartamento. Eu havia saído de um apartamento individual para um duplo no mesmo andar. Após isso me despedi dos meus amigos mais próximos e segui em viagem para a Itália, para encontrar meus pais 6 meses depois da viagem que eu tinha feito com eles no ano novo. Diferente da última vez, a minha mentalidade para o tempo com eles estava muito mais preparada para a forma de viagem, na qual eu teria que acompanhar o ritmo de viagem deles e aceitar as coisas que eles queriam fazer. Acredito que graças a isso, consegui aproveitar muito mais a viagem dessa vez do que na última vez.  

Viajamos para Nápoles, Pompeia, Capri, Zurique, Berna, Lucerna e Genebra. Como eu prefiro cidades mais históricas e com uma carga emocional maior eu acabei preferindo Nápoles e Pompeia. Ainda assim, Capri é uma ilha maravilhosa, porém cara. A melhor forma de se aproveitar a ilha é através de passeios de barco, descendo em pontos específicos para aproveitar o oceano. Por fim, na Suíça, as cidades são mais conhecidas pela sua beleza e pelo famoso fondue da região, logo não recomendo para pessoas que sejam apaixonadas por grandes histórias ou monumentos famosos. Mesmo assim, aproveitei muito as cidades suíças, procurando ver por todos os ângulos as experiencias que eu estava tendo.  

O início de nossa viagem foi em Nápoles, uma cidade com um trânsito completamente desorganizado e motoqueiros aparecendo dos lugares mais inesperados. Ela assusta aqueles que não estão acostumados com lugares razoavelmente caóticos, porém, para alguém que dirigia diariamente no Rio de Janeiro, ela não está tão distante. Ignorando esse fato, podemos dizer que a cidade tem sua beleza. Ela possui diversos lugares interessantes do ponto de vista histórico e arquitetônico, além de um subterrâneo que me deixou maravilhado.

Saindo de Nápoles decidimos ir para Pompeia, passar um dia inteiro lá, conhecendo cada um dos cantos. Durante o tempo em que estive lá, segui sozinho a maior parte do tempo, pois me interessava pela história de cada lugar enquanto meus pais viam somente a arquitetura e as ruinas. Chegamos lá umas 9 da manhã e saímos apenas quando a cidade histórica fechava. Diria que foi um dos lugares históricos mais interessantes que já passei.

Depois de um dia inteiro em Pompeia decidimos, no dia seguinte, passar pelo monte Vesúvio e fazer a caminhada mais longa para chegar até o topo. É um caminho razoavelmente tranquilo para se fazer, recomendo apenas levar uma água, especialmente se estiver no verão. Como o vulcão está inativo tudo o que vocês verão lá em cima é uma grande cratera e uma vista maravilhosa de todo o resto da região. Além disso, para aqueles que conhecem a história de Pompeia, dá para ter uma boa noção do desastre que devastou a região e deixou Pompeia abaixo de lava.

Após esses dois dias bem cansativos andando abaixo de um sol de quase 40 graus fomos para Capri descansar. Ficamos hospedados em Ana Capri, o outro lado da ilha e fomos para Capri nos dois dias usando transporte público. Como é uma ilha extremamente pequena os carros são adaptados para andar nela, logo alugar um carro na região não é o ideal, as ruas são estreitas, cheias de curvas, subidas e descidas, o ideal é usar o transporte publico ou andar de taxi.

Durante o tempo na ilha fizemos um passeio de barco com duração de um dia inteiro e ficamos na praia inicial, que não é particularmente boa, porém é viável de se banhar. O passeio de barco possui um guia especializado para explicar tudo sobre a ilha, ele faz o passeio em torno dela e para em alguns locais específicos para podermos nos banhar. É um pouco caro o passeio, porém não tem muito mais o que fazer nela, já que a mesma quase não possui praia boas.

Com o fim da estadia em Capri, pegamos um avião para a Suíça, começando em Genebra e seguindo até Zurique. Com exceção de Zurique, todas as outras cidades que passamos no caminho eram apenas bonitas, num estilo mais antigo, com casas e ruas mais estreitas. Genebra também destoa um pouco das outras, possuindo um passeio no lago que leva diretamente até a montanha mais famosa da região, que mesmo no verão fica com temperaturas negativas em seu topo. Um outro ponto importante para se tocar é o museu olímpico de Lausanne, que nos mostra a história por trás desse grande evento e, acima de tudo a história de diversas pessoas que participaram dele.

À parte do museu olímpico, acredito que Zurique foi a única cidade da suíça que tenha realmente me agregado alguma coisa. Nela visitei a ONU e o museu da Fifa, dois lugares que definitivamente recomendaria para qualquer um ir, na ONU eles nos mostram um pouco como funciona as enormes reuniões que eles possuem diariamente e um pouco do volume de trabalho que eles tem. Enquanto isso, o museu da Fifa mostra diversas coisas referentes a história do futebol masculino e feminino, ao mesmo tempo em que nos apresenta algumas histórias tocantes relacionadas com as pessoas no futebol, praticamente uma versão futebolística do museu das olimpíadas.

O ultimo ponto alto da viagem com meus pais foi a visita ao CERN, próximo de Genebra e que possui um museu interativo extremamente interessante e diversas explicações técnicas do que eles fazem. Após toda essa experiencia peguei um ônibus na estação de Zurique para ir para Zagreb, na Croácia. O sentimento, antes mesmo de me despedir deles era um misto de saudade com uma vontade de curtir a viagem em lugares com festas e praias entre amigos. Atualmente, se eu pudesse, eu teria passado mais tempo com eles e tentado aproveitar mais, porém minha mentalidade ainda não estava tão amadurecida ao ponto de poder ter esse pensamento na época.

Chegando na Croácia encontrei com meu amigo para começarmos nossa viagem de um mês juntos. Zagreb possuía alguns prédios bonitos porem nada a mais de interessante, assim dormimos um dia lá e seguimos diretamente para Hvar, uma das ilhas mais espetaculares que já passei. Ela possui diversas praias maravilhosas, uma vida noturna sensacional, tanto para aqueles com dinheiro e para aqueles sem. Além disso ainda existem diversas ilhas próximas na região, permitindo visitar elas por baixo custo através de barcos que servem como taxi ou de um barco que você alugue. 

Depois de Hvar chegamos em Split, vimos algumas coisas relacionadas a parte histórica da cidade e uma das praias, infelizmente não tivemos tempo nem energia para aproveitar a famosa vida noturna da região pois estávamos doentes na época. Ainda na Croácia fomos para Dubrovink, uma cidade que deixa maravilhado qualquer fã de Game of Thrones. A história da cidade é interessante e fica ainda melhor quando a tour envolve histórias das filmagens da série junto. A noite na cidade é um pouco cara, porém dizem ser extremamente boa, valendo a pena ir. O maior problema é a localização da maioria dos hostels, que ficam no alto da cidade, bem longe da área de festas e de turismo, gerando uma boa subida na volta da festa. Infelizmente como ainda estava um pouco doente, acabei ficando de fora das festas nessa cidade.

Depois da Croácia fomos para a Bósnia-Herzegovina, indo em Sarajevo e Mostar. Particularmente Mostar não tem muita coisa para fazer, sendo uma cidade bonita e barata, porém não precisa de mais de um dia para ver tudo. Sarajevo por sua vez é uma cidade extremamente histórica e que requer cerca de dois dias para poder ver tudo. Um local extremamente interessante é a região das olimpíadas de inverno que aconteceram na região, como as estruturas foram abandonadas podemos ver um cenário semelhante ao dos filmes pós apocalípticos, guardada as devidas proporções. Uma walking tour em Sarajevo é extremamente recomendado tendo em vista o peso histórico da região, nela você descobre diversas coisas sobre a cidade, principalmente com relação à guerra da Iugoslávia, conseguindo até a ver diversas paredes com buracos de bala.

Descendo ainda mais na Europa fomos para Montenegro, em Kotor e Budva, ambas cidades com estilo medieval e fazendo fronteira com o Mar Adriático. No geral nessa cidade aproveitamos para curtir a praia e conhecer um pouco da rasa história que ela possui. Em Budva existe um antigo castelo que podemos subir e ter a visão da cidade inteira, a subida é demorada e cansativa, mas vale a pena pela vista.

Próxima parada de nossa viagem foi na Albânia, passando por Tirana, capital do pais, e por Saranda. Para aqueles que não sabem, Albânia saiu de uma ditadura comunista a pouco tempo, de modo que, a 30 anos atrás o povo comum conhecia apenas aquilo que era produzido internamente pelo país, ou seja, eles não conheciam nem o que seria uma banana e muito menos uma Coca-Cola. O meu objetivo de ir para esse país era exatamente para poder ver um mundo completamente diferente daquilo que eu estava acostumado, muito menos integrado com o resto do planeta.

Não recomendo esse país para aqueles que querem algo luxuoso ou que tem problemas com transporte deficitário. Chegamos a pegar duas vans sem ar condicionado e um ônibus totalmente destruído. Porém, para aqueles que forem de carro ou mochileiros que não liguem para tal coisa é uma experiencia imperdível e que me gerou uma evolução gigantesca como pessoa.

Aqueles que querem uma viagem mais tranquila, mas com menos peso histórico vale a pena ir apenas para Saranda e Ksamil, uma cidade ao lado da outra, tendo transporte publico entre as duas. São ambas cidades de praia e com uma ótima estrutura de hotel e restaurantes, porém você perde um pouco da essência da Albânia, pois é uma cidade feita para turismo, logo foi muito desenvolvida para ser diferente do resto do país. Enquanto isso, caso o interesse maior seja voltado para a história e cultura local, o ideal é passar uns dois dias em Tirana, caminhando pelas ruas da cidade, fazendo walking tours e pegando um tempo para conhecer a população local.

Depois dessa visita espetacular pela Albânia descemos ainda mais em direção a Atenas, uma das cidades com mais história antiga do mundo, perdendo, talvez, apenas para Roma. A visita na cidade é espetacular, porem seria ainda melhor se não estivesse cerca de 40 graus durante a maior parte do dia. Aqueles que são estudantes na Europa possuem entrada gratuita em quase todos os museus e monumentos da região. Minha recomendação, como alguém que ama história antiga, é de ver todos os monumentos da região e fazer no mínimo uma walking tour referente a história da região.

Depois de Atenas fomos para as ilhas grega, sobre as quais não me estenderei muito pois é simples de resumir em praias e festas, elas mal possuem histórias e turismo cultural. Fomos para 4 ilhas no total, em Mykonos, curtimos as duas praias mais famosas durante o dia e as festas durante a noite. Paros, por sua vez, tem um foco muito maior em praias, com pouquíssimas festas. Já a terceira ilha, Ios, é com um foco 100% em festas, começando as 5 da tarde e acabando apenas as 6 da manhã, possuindo um bizarro intervalo no meio, que permite que as pessoas saiam da festa na praia para festas em clubes. A ultima ilha que fomos foi Santorini, na qual alugamos um quadriciclo e visitamos as mais diversas praias que existem na região, elas não são as melhores para se banhar, porem são extremamente bonitas e diferentes.

Com o fim da viagem voltei para Lille para descansar por alguns dias e me preparar para receber os calouros antes de ir para Bélgica e Amsterdã. Como uma das intercambistas chegaria mais cedo e não tinha lugar para ficar ela acabou acompanhando a mim e meu coloc na viagem. Na Bélgica passamos por Gent, Brugges e Bruxelas, as duas primeiras cidades muito lindas porem sem grandes coisas para fazer, apenas passear, apreciar a vista e comer a famosa batata frita belga. Enquanto isso Bruxelas é uma cidade com uma quantidade mais variada de coisas a se fazer, porém ainda assim não precisa de mais do que um dia inteiro para ver. A noite da cidade é um pouco mais interessante, com bares e boates espalhados pelo centro da cidade.

Seguindo para Amsterdã, passamos dois dias no local, com um objetivo de passar um dia relaxando no parque e o outro de conhecer os pontos mais famosos da cidade, como a Red. District, o museu da Heineken e o do Van Gogh. Ao fim da viagem voltamos para Lille para começar a receber os calouros que chegariam dentro dos próximos 5 dias.

Férias de Abril

Durante o quarto período de viagens que tivemos desde o inicio de nossa estadia na França eu devo admitir que já estava um pouco cansado de conviver com as mesmas pessoas e, aliado a isso, estava com saudades dos meus amigos do Brasil. Por isso, decidi organizar uma viagem aqueles amigos mais antigos, tanto da PUC-Rio, como do colégio, que estão fazendo os estudos na Europa. Durante a primeira das duas semanas de viagem acabei indo para Berlim, Praga e Budapeste, conhecendo os principais pontos turísticos das duas últimas e aproveitando para visitar os principais museus da cidade alemã. Na segunda semana eu fiquei hospedado na casa de dois amigos em Portugal, um em Porto e outra em Cascais, próximo de Lisboa.

Nessa viagem eu percebi o quanto que eu e meus amigos acabamos mudando, quando estávamos no Brasil éramos todos de um grupo que preferia uma boa resenha em um bar tranquilo ou na casa de alguma pessoa. Com tudo o que eu acabei passando nesses 8 meses que já haviam passado de intercambio, meu mindset havia mudado, eu acabei virando uma pessoa que gosta de aproveitar ao máximo as cidades em que passo, procurando voltar para casa apenas quando estou exausto, evitando desperdiçar tempo em que poderia estar adquirindo novas experiencias. O mesmo não acontecia com os meus amigos.

Além disso, questões como um grupo preferir passeios históricos e naturais e outro preferir passeios de arte moderna e igrejas acabaram minando um pouco a moral dessa primeira semana de viagem, pois nunca todos estavam amplamente satisfeitos. Outro problema que existia era o custo da viagem, enquanto algumas pessoas não ligavam de passar por sufocos para manter o custo baixo, outros procuravam ter um luxo que mochileiros não estão sempre dispostos a pagar.

Independente disso tudo, poder reencontrar os amigos e passar muito tempo com eles era o mais importante para mim. No geral, as cidades são muito bonitas e históricas, fazendo com que a viagem tenha sido muito enriquecedora e interessante, contudo, não consegui aproveitar um dos melhores pontos de budapeste, que foi a vida noturna. Através da experiencia de amigos meus, acredito que possa afirmar que a vida noturna de Budapeste está entre as melhores da Europa, com diversas boates diferenciadas e alguns opens bar exclusivos.

Ao fim da viagem peguei um voo de Budapeste direto para Porto para encontrar meu amigo. Passei 3 dias alternando entre Porto e Gaia e depois mais dois dias em Lisboa e Cascais, esse tempo inteiro eu estive acompanhando de uma pessoa que era um dos meus melhores amigos no Brasil, e isso serviu para me mostrar, mais uma vez, como que as mais diversas experiencias podem acabar afastando duas pessoas. Posso dizer que eu e ele não estávamos no mesmo ritmo nessa viagem, enquanto eu queria sair para conhecer as cidades, ver a cultura, os monumentos, bares e boates, meu amigo estava mais a vontade ficando em casa, seguindo a rotina normal dele. Não posso culpar muito, ele vive lá, não tem que ter pressa para conhecer todas as coisas. No final conhecemos um pouco de Porto e passamos a maior parte do tempo jogando conversa fora, bebendo e vendo série.

O momento que eu estava mais tenso para essa viagem era para reencontrar uma pessoa muito querida para mim, mas que tínhamos nos afastado muito com o tempo que ela passou na Europa antes de eu vir. Felizmente, os dois dias passados com ela em Cascais e Lisboa serviram para eu perceber que a minha mudança seria algo positivo para me reaproximar dela. Os melhores momentos dessa viagem foram visitando as praias de Cascais e podendo passar tempo com ambos os meus amigos enquanto conhecia outros portugueses. Por ter ficado a maior parte do tempo com um grupo fixo de amigos, acabei não conhecendo muito da cidade e nem da cultura da região. Exatamente por esse motivo, ainda pretendo voltar algum dia para lá.

Oktober

Provavelmente muitos brasileiros já conhecem esse evento devido a existir um semelhante em Blumenau, porém, após ter ido nos dois, posso afirmar que a diferença de magnitude entre eles é gigantesca, não deveria nem existir comparação. Além de ser muito mais cheio, os estandes de cerveja são gigantescas casas com capacidade para milhares de pessoas. Eles possuem um serviço muito melhor e muito mais eficiente. As cervejas são de uma qualidade incomparável e além disso o clima criado pelo povo alemão é completamente diferente do clima existente no Brasil.

Durante meu tempo na Europa eu consegui ir para a oktober duas vezes, uma como calouro e outra como veterano. Contarei da minha experiencia no primeiro ano e depois compararei com o que fiz no segundo.

Logo na segunda semana de aula na Europa recebemos um aviso de que iriamos ter uma viagem, organizada pelo nosso BDS da época para a oktober, já que, em um dos fins de semana que acontece a oktober, existe também uma competição de rúgbi que a equipe da Centrale Lille participa. A viagem envolvia uma ida e volta em ônibus fretado, saindo sexta feira da residência e voltando domingo. Apesar de ser um ônibus fretado apenas para os centralianos, a bagunça não chega nem perto do nível do WEI, porém, aqueles que forem no segundo andar no fundo não terão um boa noite de sono. Felizmente, junto com os outros brasileiros, conseguimos ficar no primeiro andar do ônibus e ter um boa noite de sono, na medida do possível.

Chegando em Munich, o ônibus deixa o time de Rúgbi próximo do estádio para o campeonato e segue com o resto das pessoas para o acampamento, onde deixaremos nossas mochilas e ficamos livres para ir para a oktober.  Antes mesmo de chegar no local reservado para o evento você já começa a ter uma noção do ambiente criado pelos alemães, diversas pessoas vestidas à caráter, com as roupas próprias da festa, cantando músicas típicas e com uma animação sem igual.  

Chegando no local, após enfrentar algumas filas para passar pelos controles de segurança, nos demos de cara com um outro mundo. Diversas barracas com comidas típicas alemãs, outras com decorações e utensílios relacionados ao evento, alguns brinquedos de parques de diversão e, por fim, diversos casarões das cervejarias mais famosas da Alemanha e do mundo.

Durante o dia, passei a maior parte do tempo na Paulaner e na Hofbräu pedindo um litro de cerveja a cada vez. O ideal na oktober durante o fim de semana é ficar em apenas uma tenda de cerveja, já que, depois das 3 da tarde até o início da noite, a entrada da mesma fica quase impossível, podendo levar até 3 horas na fila.

Ao final do dia acredito que já tinha tomado cerca de 6 litros de cerveja e comido várias das comidas típicas alemãs. Recomendo para todos aqueles que vierem passar um tempo na Europa durante a época da oktober, de comparecer à mesma, é um evento de escala mundial com uma troca de cultura impressionante. No meu caso, eu gostei tanto que decidi voltar no ano seguinte.

Como o WEI e a competição de rúgbi acabaram tendo as mesmas datas, não foi possível existir uma viagem fretada pelo BDS, então juntamos os brasileiros e compramos a passagem juntos de Lille para Munich. Como não era um ônibus fretado acabou que dormimos bem pior do que da última vez e chegamos extremamente cansados na festa. Dessa vez eu consegui aproveitar a festa apenas até umas duas da tarde e depois o cansaço me venceu e decidi ir para os gramados da oktober para dormir um pouco.

Quando acordei já eram quase 18 horas e não estava com muito mais vontade de beber, então apenas acompanhei meus amigos até o fim da noite e voltamos para a estação de ônibus ao fim da oktober. A partir desse momento foi praticamente uma tortura, achamos que teríamos vontade de continuar curtindo a noite de Munich, porém a maior parte do grupo estava extremamente cansado e acabamos, por umas 5 horas, dormindo no chão da estação.

Infelizmente essa segunda vez não foi uma experiencia tão boa, já que estávamos muito mais cansados e o formato da viagem foi também mais exaustivo, porém, estando na Europa e gostando de cerveja, é quase um pecado deixar de ir.

Viagem com os Franceses

Com o fim do estágio de 1 mês tivemos um período de uma semana entre o fim do período inicial centraliano e o início do S6. Nesse tempo, aquelas pessoas que listavam para BDE e BDS aproveitaram para viajar juntos e poder desenvolver um planejamento para os eventos. Foi durante esse período que testamos as receitas que faríamos nas campanhas e decidimos os acertos finais dos mais diferentes eventos que teríamos. Também trabalhamos na coreografia, nas playlists de eventos e nas decorações.

Um dos membros da lista trabalhando no planejamento de seu evento.

                A minha lista decidiu passar essa semana junta em uma casa no sul da França, próximo de Dijon, foi a minha primeira e única experiencia viajando com pessoas de outras nacionalidades, servindo para melhorar muito o meu francês e desenvolver laços de amizade com todas as pessoas. Antes dessas férias eu mal conseguia desenvolver uma conversa com franceses, mesmos aqueles que eu possuía um assunto em comum para discutir. Depois de uma semana tendo que falar apenas na língua deles, eu acabei me integrando bem mais no grupo.

                Infelizmente, como no ano seguinte as campanhas mudaram de data, não existe mais esse conceito, passando a ser apenas um ou dois fins de semanas que passam juntos para desenvolver os projetos das campanhas. Isso atrapalha muito no desenvolvimento de amizades dentro do grupo para os estrangeiros, além de tirar uma ótima experiencia de desenvolvimento pessoal.

Natal e Ano-Novo

Depois de uma viagem apenas entre amigos no Toussaint, decidi fazer uma com minha família. Assim pude comparar e ter uma noção da diferença, tanto com relação à conhecer lugares, quanto em conhecer pessoas, entre os dois tipos de viagem. Essas férias se dão entre o dia 21 de dezembro e o dia 5 de janeiro e passamos ela no sul da Espanha.

Claramente, a principal diferença entre as duas viagens é a quantidade de luxo envolvido, enquanto em uma delas eu ficava em hostels, dormindo em aeroportos e ônibus, na outra, com meus pais, eu tinha um carro alugado, dormia em hotéis de alta qualidade, tendo todas as horas de sono necessárias.

Começamos a viagem em Sevilla, fazendo um tour de ônibus pela cidade conhecendo os pontos principais. No dia seguinte acabamos andando e revisitando os pontos mais interessantes de carro incluindo os estádios de futebol da região, porém, como era domingo, acabamos ficando mais do lado de fora dos monumentos e andando pelo meio das vielas bonitas da cidade.

O melhor lado de Sevilla são os restaurantes e os famosos tapas, todos os dias a noite fizemos questão de comer em locais diferentes, tentando conhecer o máximo possível a comida da região. No dia 24 já não existia mais muita coisa aberta, então não tinha muito para fazer na cidade, por isso decidimos dar um tour através de parques da região e se preparar para a grande ceia. No dia seguinte saímos de carro de Sevilha e descemos pela costa, passando por Jerez e ficando um dia em Cádiz. Ela é uma cidade muito bonita, porém sem muita coisa para fazer.

Descemos mais um pouco até Gibraltar, um pedaço do Reino Unido no final da Espanha, uma cidade que não possui nada demais com exceção da pedra na qual a cidade cresce em volta. Se eu pudesse mudar algo em minha viagem, eu colocaria mais tempo nessa cidade. Passei uma tarde inteira e não chegou a ser nem perto do suficiente para terminar as trilhas pela pedra. Algumas podem vir a demorar 12 horas. O ideal é poder passar um dia inteiro nela, de preferência dormindo na mesma, já que as trilhas são bem cansativas.

Ainda chegamos a ir para Málaga e Córdoba, todas cidades bonitas e com sua própria beleza, porem nada imperdível. No final voltamos para Sevilha pra dar uma descansada antes de pegar o avião para voltar para casa. No geral viajar com os pais é muito mais tranquilo do que viajar com os amigos, tendo muito mais liberdade para ver monumentos e centros históricos, já que não existe uma limitação financeira tão grande. Além disso, ainda conseguia comer em diversos restaurantes sensacionais, podendo assim conhecer a comida típica da região. Contudo, acabamos por conhecer muito menos do povo local, já que ficamos dentro de carros e hotéis, gerando menos necessidade de interação. Essa bolha criada pela viagem mais luxuosa acaba retirando muito da experiencia cultural que uma viagem pode conhecer. No geral, prefiro viajar com os amigos, sinto uma maior conexão com o local e com a cultura, porém, em momentos em que estou muito cansado, viajar com os pais acaba sendo mais satisfatório.

Toussaint

Minha primeira grande viagem depois de chegar na Europa aconteceu no primeiro grande feriado que tivemos aqui, o feriado de todos os santos. Fiz essa viagem com meus três amigos mais próximos na época e visitamos as seguintes cidades:

  • Colônia

Saímos direto de Lille de ônibus, num trajeto que, a princípio, duraria apenas 4 horas, mas que infelizmente demorou mais de 6 horas. Como chegamos muito tarde na cidade não conseguimos ir no observatório e nem no museu de chocolate, dois dos pontos turísticos mais famosos dela. Acabamos tendo que nos contentar com ver a cidade escurecendo e visitar as belas igrejas que ela possui.

A noite da cidade é razoavelmente movimentada, praticamente do mesmo nível que Lille. Ela possui certas ruas com muitos bares e algumas boates, porém não é famosa por isso. No dia seguinte de manha fomos diretamente para a estação de trem para ir para nossa próxima parada.

  • Dusseldorf

Localizada a menos de uma hora de colônia, é uma cidade pequena, porem muito bonita. Tem parques bem bonitos e um museu naval interessante. Não possui uma quantidade de coisa exuberante para fazer, por isso não recomendaria passar mais de um dia nela. Ao final do dia procuramos algum bar para ficar e beber um pouco, porém não conseguimos encontrar nada de interessante. Próximo de meia noite fomos para a estação de ônibus para pegar um FlixBus em direção a Hamburgo.

  • Hamburgo

Chegamos na cidade as 5 da manha junto a uma frente fria inesperada, para nossa sorte existia uma padaria aberta próxima a estação que nos permitiu ficar até as 7 da manha esperando nela. Assim que nosso hostel abriu fomos diretamente para ele. Como ainda era muito cedo para fazer o check-in, deixamos nossas malas no cofre do hostel e saímos mais agasalhados para conhecer a cidade. Como ainda era muito cedo, não existia quase nenhum dos pontos turísticos abertos, então resolvemos passear pelos lindos parques da cidade, contornando um lago que se encontrava perto de onde nos alojamos. Chegando perto da hora do almoço decidimos voltar para o hostel para cozinhar e poder fazer um roteiro para a tarde

A cidade é composta de uma história muito rica e de diversos pontos históricos que são fáceis de passar batido, por isso vale muito a pena fazer uma walking tour. Fizemos uma em espanhol pelo centro da cidade com duração de três horas durante a tarde. Nela, escutamos sobre o que a cidade passou na primeira e segunda guerra mundial, além das tradições e outros acontecimentos desenvolvidos ao longo dos séculos de sua história. Aqueles que gostam de história ou de arquitetura vão amar essa cidade, riquíssima em ambos os quesitos.

A noite da cidade é bem mais rica do que das duas outras que passamos, existe uma estação de metrô que desemboca numa parte da cidade na qual existe apenas bares, boates, fast foods, sexy shops e puteiros para todos os gostos. Quando fomos, ficamos em um bar onde todos os shots são 99 centavos de euro, o mais barato da região.  Infelizmente estávamos muito cansados nesse dia, então não conseguimos aproveitar direito a noite na região. No dia seguinte ficamos no hostel até perto da hora do almoço e fomos para Berlim.

  • Berlim

Gosto de dizer que Berlim foi a melhor cidade que eu já visitei em todas as minhas viagens pela Europa, claro que um desses fatores foi a novidade de ver uma cidade com tamanha carga histórica como Berlim logo na primeira vez em que viajei. Acabamos fazendo um roteiro improvisado, já que éramos todos inexperientes em viagem. Não sabíamos muito o que fazer nem como fazer durante os 3 dias que iriamos passar na cidade, porém ela possui tanta coisa para fazer que é impossível ficar entediado.

Começamos o primeiro dia conhecendo a cidade sem muito planejamento, procurando os pontos turísticos famosos no mapa e vendo a história dos mesmos no google. Conhecemos a maior parte dos pontos turísticos secundários dessa forma e acabamos indo ao final do dia na AlexanderPlatz. No dia seguinte decidimos fazer as walking tours mais famosas, a primeira sobre a segunda guerra mundial e a segunda sobre a guerra fria. Ambas foram muito boas e valeram cada centavo que pagamos. Finalizamos o dia indo para uma região de bares, próxima à East Side Gallery, porém o nível da região é bem baixo e é razoavelmente perigoso.

No dia seguinte fomos passar o dia fora de Berlim, no campo de concentração que existe ali perto. Ir para um campo de concentração pela primeira vez na vida é algo extremamente pesado, não é uma experiencia confortável e muito menos animadora, contudo é uma visita que eu recomendo todos fazerem, pois nos faz refletir sobre uma enorme quantidade de coisas na nossa vida. Passamos o dia inteiro no campo e voltamos perto do escurecer para poder fazer o Pub Crawl, que é basicamente uma tour por alguns bares da cidade e que acaba em uma boate. Como cada Pub Crawl tem uma dinâmica diferente, é bom checar as avaliações dele antes de pensar em fazer.

No nosso ultimo dia em Berlim, como estávamos extremamente mortos decidimos ir apenas na East Side Gallery e no Memorial do muro de Berlim e passar o resto do dia descansando e aproveitando os parques bonitos que a cidade possui. Um pouco antes do metro fechar fomos para o aeroporto para dormirmos até nosso check-in, as 4 da manhã.

  • Londres

Infelizmente, passamos apenas um dia nela, não conseguindo ver tudo o que a cidade pode nos oferecer. No geral, passeamos pelos parques e pontos turísticos mais famosos, porém não houve tempo para entrar em qualquer atração e muito menos para aproveitar a cidade ao fundo. É uma cidade extremamente bonita que ainda está nos meus planos revisita-la.

A Integração 2.0

Após recebermos a maravilhosa recepção dos nossos veteranos, era nossa obrigação fazer algo, no mínimo, do mesmo nível, se não melhor. Com isso em mente começamos a trabalhar para ajudar eles no instante em que recebemos a lista de aprovados de cada faculdade. Com essa lista, dividimos os calouros de acordo com as engenharias e as faculdades que estavam fazendo. Dessa forma o veterano pode dar o maior suporte possível para eles, explicando como funciona aqui e como funciona a ligação daqui com a faculdade brasileira. Além disso criamos um grupo de Facebook para colocarmos as informações mais relevantes e um grupo de WhatsApp para podermos conversar com eles, facilitando a troca.

                Antes das férias de verão organizamos o que cada pessoa teria como cargo no CLUB Time, a associação responsável pelos internacionais, nessa época eu fiquei como responsável pela logística de todos os eventos e responsável principal pelo evento de Partage de moveis. Durante as férias organizamos as duas semanas de calendário com os eventos que já foram explicados anteriormente, colocando alguns eventos de outras associações, por exemplo a copa cirrose da Brasa Lille e o boliche do BDE. No geral, os eventos acabaram sendo mais do mesmo do ano passado, com algumas singelas diferenças.

                A maior diferença com relação ao ano anterior foi o efetivo de pessoas trabalhando para ajudar nos eventos, tínhamos alguns internacionais que não faziam quase nada para ajudar os recém-chegados, sobrecarregando os outros que desejavam fazer as coisas direito. Dos brasileiros, tivemos cerca de metade ajudando, ou seja, umas 6 pessoas, além disso contamos com 1 hispanófonos e dois ou três chineses. Tudo isso para uma recepção de mais de 50 pessoas.

                Com isso, muitas vezes as pessoas se desdobravam entre acompanhar nas tarefas matinais, geralmente organizadas junto a École, e nos eventos noturnos, que eram de importância para a integração dos calouros. Como a quinzena de integração é um período de férias da faculdade para os G2s temos bastante tempo para dedicar para esses eventos, conseguindo assim fazer tudo ocorrer bem e na hora certa.

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